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sábado, 28 de junho de 2014

Uma outra carta do Mr. Darcy para Elizabeth

 

Esta não posso deixar de partilhar aqui!


É a tradução de uma carta escrita pelo Mr Darcy a Elizabeth. Retirei do blog brasileiro 'improvement of mind' da Samanta Fernandes que foi quem fez a tradução de um dos textos que constam no livro 'Pemberley Medley' da Abigail Reynolds. Esse texto baseia-se no seguinte:

 "E se Elizabeth acreditasse nas suspeitas de Charlotte que Darcy está apaixonado por ela e tomasse medidas para tentar desencorajá-lo? Ao invés de serem atraídos um pelo outro, todas as vezes que ele se encontram, eles acham uma nova maneira de se antagonizarem. Em desespero, Darcy resolve escrever uma carta a Elizabeth para transmitir o que ele não consegue falar-lhe. Esta carta é bem diferente da original do livro, mas incrivelmente romântica!"
 
"Rosings, five in the morning

Se esta carta não é para ser entregue às chamas, eu preciso considerar por onde começar. Eu contei-lhe tantas vezes, nos meus sonhos e nestas cartas, da minha ardente admiração pela sua pessoa, o extraordinário prazer que eu obtenho simplesmente de estar na mesma divisão que você, como o som do seu riso traz calor para o meu mundo frio, como os seus olhos brilham quando você me provoca, que é fácil esquecer que eu não usei nada mais do que olhares para comunicar aqueles sentimentos para você na realidade. Mas devo começar por algum lugar e fá-lo-ei pela noite do baile de Netherfield. Eu estava determinado a dançar com você naquela noite, a ter o privilégio de sua atenção por uma meia hora inteira, uma possibilidade tão intoxicante quanto um bom vinho. Por semanas permaneci discreto, ouvindo as suas conversas, notando para quem você sorria e de quem você preferia receber as atenções, o que fazia você sorrir, e como intercedia quando sentia alguém em risco de ser ofendido. Eu queria entender a sua magia, que encanto você usava para me manter escravo, que elemento secreto você possuía que não me permitia desviar o olhar; eu, que tinha olhado para as grandes beldades da sociedade e permanecido impassível.

Vim à Netherfield logo depois de instalar a minha irmã numa casa em Londres, depois do terrível caso do qual você está ciente. Eu nunca fui muito inclinado para eventos sociais, preferindo uma noite tranquila com alguns amigos do que um Baile em Almack, mas naquele momento minha aversão pela sociedade estava em sua maior intensidade. O homem que, embora nós tenhamos nos distanciado, era meu amigo mais antigo tinha me traído da pior maneira possível. Eu não estava com humor para fazer novos conhecidos, e qualquer coisa que me lembrasse caçadoras de fortunas me enraivecia. Eu não me importava com o que pensavam de mim, e sentia pouco prazer em qualquer coisa. Então, um dia, alguém numa festa pediu-me minha opinião sobre algo. Eu respondi concisamente, sem dúvida rudemente, e você virou seus belos olhos para mim e disse: “E enfim o Sr. Darcy deslumbrou o salão com seu conhecimento! Nós todos devemos estar devidamente gratos.” A sua voz risonha pareceu fazer as velas queimarem mais brilhantes, e eu me tornei seu prisioneiro. Mas toda vez que eu tentava aproximar-me de você, você parecia voar para longe. Você se recusou a dançar comigo em Lucas Lodge e depois em Netherfield durante a doença da sua irmã. Depois disso meu único prazer era olhar para você, ouvir você falar, pensar em você, sonhar com você todas as noites.

Minha querida Elizabeth – eu devo ter esperanças que você me irá perdoar pela minha ousadia em chamá-la dessa maneira; mas já que eu escrevi para você tantas cartas que nunca eram para serem lidas, e é de pouca importância para o fogo quão ousadas são as palavras que ele queima, eu tomei essa liberdade muitas vezes para renunciá-la agora, porque o som do seu nome, a aparência dele vindo da minha pena, é um prazer viciante – você não pode imaginar o tormento que eu senti ao deixar Hertfordshire, sabendo que era improvável que eu algum dia fosse vê-la novamente. Eu duvido que eu poderia ter encontrado a determinação para fazer isso por minha própria causa; foi apenas por um senso de dever para com Bingley que eu me forcei a deixar a teia de encanto que você tinha lançado sobre mim. Eu queria poder dizer que a esqueci rapidamente, mas isso seria uma mentira; você era o meu primeiro pensamento na manhã e meu último à noite, e você dançava através dos meus sonhos como uma ninfa da qual eu não podia ter esperanças de escapar, nem eu mesmo desejava. Por um tempo eu achei que isso me levaria a loucura, e eu tinha recém recobrado algum senso de mim mesmo quando deixei Londres para Rosings, apenas para encontrar a própria ninfa no final da minha jornada.

Mesmo um breve tempo na sua companhia foi o suficiente para me colocar mais uma vez no mais grave dos perigos, talvez ainda mais do que eu tinha estado em Hertfordshire, porque eu agora tinha a certeza de que eu não podia escapar de você. Eu tentei com todo meu ser me manter distante, mas um provocador Cupido continuava me jogando no seu caminho – na igreja, onde eu não podia prestar atenção no sermão, já que todas as minhas preces eram para você; quando você jantava em Rosings, e eu sabia que toda as expectativas familiares do mundo não podiam compensar pela alegria que eu recebia sempre que um sorriso tocava os seus lábios. Eu estava perdido antes mesmo de eu começar.

Eu te contaria do meu desejo por você, mas aquelas palavras não são adequadas para os olhos de uma donzela; aquela carta deve ser alimento para o fogo faminto, que não queima tão ferozmente quanto meu amor por você. Eu poderia escrever para você da profundidade da minha irremediável admiração por você e como ela superou todos os meus escrúpulos, mas palavras desse tipo provavelmente seriam tão imperdoáveis
quanto são inesquecíveis. Eu posso apenas te contar da lições que eu aprendi com você, minha querida, amada, Elizabeth; lições do coração, do erro dos meus modos e meu intolerável egoísmo em não considerar as sensibilidades daqueles que eu amo, lições que me fizeram um homem melhor. Elas também me transformaram em um homem que nunca irá esquecer o brilho dos seus belos olhos, a encantadora mudança do seu semblante quando você encontra uma vítima para as suas provocações, a extraordinária luz que você traz ao mais escuro dos cômodos; e eu vou sempre sentir a falta da sua presença quando eu estiver distante de você, mesmo que anos e décadas se passem. Você é uma mulher em um milhão, tanto pela sua honestidade e doçura quanto pela sua beleza e inteligência, e tem sido um privilégio ser um adorador aos seus pés. Á essas memórias eu não iria renunciar por nada, mesmo se elas forem as únicas que eu jamais terei de você.

Agora você vê o que apenas as chamas tinham visto até agora. Eu irei entender completamente se você me tratar como se essa carta nunca tivesse existido; de fato, eu não mereço nada mais, e você não precisa se preocupar que eu irei importuná-la mais. O seu amor é um prêmio que eu não ouso sonhar em obter, um precioso demais para um mero mortal como eu, mas se você encontrar alguma pequena parte de você que está disposta a considerar meu pedido, ou melhor, até mesmo tolerar minha presença ocasional, eu peço que você encontre alguma maneira de tomar piedade de mim e me mostrar o seu perdão por estas palavras. Eu estarei no bosque a cada manhã, meus pensamentos ocupados com você.

Eu irei apenas acrescentar, Deus a abençoe.


Seu, mais do que de mim mesmo,

Fitzwilliam Darcy"

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Convencimento - Resumo de Persuasão (Jane Austin)




Uma breve estória. Anne Elliot, aos 20 anos, está perdidamente apaixonada por Frederick Wentworth, de 20 anos. Seja pelo amor ou pelo simples calor do momento, eles decidem-se casar, mas seus planos culminam em seu próprio rompimento. Dois motivos: um, ela é rica e de família arrogante (no livro tem a chamada “a famosa arrogância dos Elliot”); dois, ele é um jovem ordinário aos olhos do Sr. Walter Elliot (baronete e pai de Anne), sem riquezas ou títulos. Sendo assim seu pai não pode aceitar que sua filha caia em uma cilada de casar-se com um homem pobre que não tinha nem o que dar para sua filha mais velha.
Então persuadidos (pai e filha) por uma nova personagem até então secundária, a senhora Lady Russell, a não realizar o casório. Lady Russell exerce grande poder na tomada de decisão na família Elliot. Uma mulher, a meu ver, centrada que tira seus conceitos muito rapidamente antes mesmo do segundo olhar que dar as pessoas ou aos objetos. Mas é graças a ela que o sr. Wentworth e a senhorita Elliot não ficam juntos.
Meu livro.
Sete anos depois os Elliot estão em apuro, problemas financeiro. A verdade é que desde a morte da senhora Elliot, mulher de Walter e mãe de Anne e Mary (irmã mais nova e a mais esnobe e arrogante dos Elliot), o Senhor Elliot vem colocado a sua própria em declínio financeiro. E eles não vêm outra alternativa senão vender sua luxuosa casa em Kellynch Hall e mudarem-se para uma de suas propriedade menores em outro lugar (pois o Sr. Walter não suporta de está perdendo sua fortuna, vender sua querida Kellynch Hall e ainda as outras pessoas saberem disso), para Bath. Mas devo acrescenta que mais uma vez a família Elliot são persuadidos a tal ato, pela caríssima Lady Russell juntamente com outro amigo e advogado da família, senhor Shepherd.
Enquanto o senhor Shepherd arranjava a pessoa para vender Kellynch Hall; Anne antes jovem, linda, cheia de vida; agora pálida magra e o rosto cheio de sardas e se ver indo visitar sua irmã mais nova, Mary, que agora está casada com senhor Charles Musgrove (a quem pretendia casar-se com Anne, mas está não o quisera optou pela irmã) e tem um pequeno herdeiro, William Walter Elliot. Mary é carente, irritante e hipocondríaca e a mais arrogante dos Elliot (depois do pai). Os Musgrove vivem em Uppercross, muito diferente de Somersetshire, o primeiro a autora dar a entender que é bem mais tranquilo e pacifico que o segundo.
Passando alguns dias Anne recebe a noticia de que um Capitão alugara Kellych Hall (seu pai está ainda em contra gosto a essa ideia, pensando que pode dar um jeito no financeiro da família, mas como era para alguém com patente alta na marinha de Londres, ele acabara por se a costumar a ideia). Ao receber tal noticia, Anne, estava desolada, pois sempre amara sua casa e dar toda ela (tanto a propriedade quanto o terrano) para um estranho da marinha fazia com que um gosta amargo crescesse no fundo de sua boca.
O capitão até agora anônimo despertara a curiosidade de todos. Alguns que o conhecia antes como o senhor Shepherd, lhe dera somente os mais altos elogios. Mas antes que este exímio ser aparecer e tomar posse em Kellynch Hall, Anne repara em sua linhagem (dada pelo Advogado) irmão da senhora Croft e irmão do padre Wentworth. Anne sabia quem era a criatura com o capuz negro: seu amor, Frederick.
No primeiro momento Anne se lembra de seu passado e no segundo passa a ter noção que o seu Frederick Wentworth será o novo proprietário de sua amada casa. Outro pensamento enche seu coração de medo: Ela e o, agora Capitão, Wentworth fariam parte do mesmo grupo social, isso quer dizer que eles iriam se encontra muitas vezes. Esse é o grande medo de Anne a principio.
Quando Anne chega a Uppercross se depara com Mary agonizando em doença (que só existia na sua cabeça), vendo a irmã naquele estado (esparramada pelo sofá com o jovem filho em cima de sua barriga), Anne se ver na obrigação divina que cura sua irmã e Mary ao ver a irmã já se sente melhor. Anne sabe que o Capitão Wentworth está em Uppercross, então ela se faz valer-se de desculpas para não sair da casa de sua irmã. Primeiro contara com a conveniente doença do sobrinho, depois inventara inúmeras desculpas para não dar de cara com o Capitão.
Mas no fim acabaram todas as desculpas e tivera que ir a um evento pequeno na casa dos pais de Charles Musgrove, fora quando ela o vira: frio e distante. Frederick, aos olhos de Anne, fazia de tudo para lhe ver triste e não demostrava nenhum afeto para sua parte. Anne recordara que Frederick era ambicioso e muito inteligente, talvez devesse ter sido isso o que fizera daquele modo ou a sua ruptura com Anne.
Mas essa frieza era puro teatro por parte de Frederick, pois ele ainda estava perdidamente apaixonado pela sua Anne Elliot. Ela que agora estava menos magra de rosto e corpo, e mais corada e com menos sardas, vira o seu jovem ambicioso amor juvenil se transformar em um grande Capitão da marinha britânica. E ele vira sua flor tornar-se murcha com o passado do tempo e tornar-se cheia de vida ao seu toque.
Enfim ambos tiveram noção sobre o que sentiam um pelo outro e fizeram aquilo que deveriam fazer a oito anos atrás: casaram-se.
O que era pra ser uma breve estória tornou-se uma grande estória cheia de nuances sobre amor, coerção e perseverança. É disso que trata Jane Austin nesse livro.
Trecho que eu mais gostei do livro

Minha opinião:

Lendo esse livro me fez pensar sobre relacionamento e o tempo que sofrem para poderem se desenrolar. Podem-se passar dez anos, mas se for amor verdadeiro ainda terá a mesma intensidade. E o fato de Anne não querer se casar com 27 anos em 1818 era o marco da revolução feminista, pois a mulheres naquela época não tinha voz e nem vez em um mundo dominado pela testosterona. As mulheres estavam a mercê de homens, seja pai, irmão, cunhado e esposo.
O mais impactante é que ainda estamos enfrentando resquícios desse regime machista. As mulheres ficam em uma posição vulnerável com relação aos homens. E isso é frustrante dos dois lados da moeda. Do lado feminino: as mulheres tem uma mente progressista com relação aos assuntos mundiais (coisa que até dez anos atrás elas tinha receio de fazê-lo); e do lado masculino é bom para os homens demostrar que não vão para frente sem a opinião de uma mulher e demonstrar um pouco de afeto ao poder feminino sempre é bom.