Sabe eu até entendo essa frase na parte que diz respeito ao
trabalho. Não deixar trabalho para amanhã, até porque não fica bem para você e
nem pra empresa. Mas quanto ao quesito amizade? Será que deixamos de ser amigo
hoje para ser amanhã? E no que diz respeito à família? Somos familiares hoje para
não sermos amanhã? E quanto ao amor? Chamar uma pessoa que você gosta pra sair
hoje e não amanhã fará diferença? Se ela aceitar bem, se não, não. E quando
fazemos como a outra pessoa interpreta a nossa ação? Ele ou ela pensa que
estamos sendo ousados ou simplesmente estamos sendo carentes ao ponto de nos
humilharmos para ela ou ele? O ponto é
que as pessoas sempre deixam outras pessoas para “amanhã”. E se o “amanhã” não
for um bom dia, vamos continuar adiando? E se nunca chegar? Eu provei uma boa
doze de medo esse ano de 2013 e posso dizer que esse é o tipo de sentimento que
nos faz adiar e muito os nossos atos. Mas também provei de uma pequena doze de
ousadia e posso afirmar que, às vezes, faz a diferença e isso nos leva ao
segundo ponto: como saber quando posso ser ousado e fazer a diferença ou
simplesmente deixo pra lá? E ao terceiro: Será que tem uma doze certa de medo e
ousadia? Acho melhor eu parar por aqui senão vai surgir outras duvidas ferozes
na minha cabeça.
Tesouro estável, templo de Minerva, / Massa de calma e nítida reserva, / Água franzida, olho que em ti escondes / Tanto de sono sob um véu de chama, / — Ó meu silêncio!… Um edifício na alma, / Cume dourado de mil, telhas, teto!(trecho do poema O Cemitério Marinho de Paul Valéry)
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
domingo, 29 de dezembro de 2013
Pequenos dialogos
- Mas, essa vontade e esse amor não crês que sejam comuns a
todos os homens? Não te parece que todos desejam o que é bom? Qual é tua
opinião a esse respeito?
- De fato, creio também que é sentimento comum a todos os homens.
(...)
- Pois o mesmo se dá com amor: desejo do bem e da felicidade, em geral, eis no que para todos consiste o grande e astucioso Eros. Mas há muitos modos de dar satisfação ao amor e, entre eles, o de procurar as riquezas, os esportes, a filosofia, aos quais, todavia, não se aplicam corretamente os nomes de amante e amado; apenas a uma determinada espécie de amor e aos seus sequazes é que se dá o nome que de direito pertencer ao gênero todo: amor, amar, amante...
(...)
- De fato, creio também que é sentimento comum a todos os homens.
(...)
- Pois o mesmo se dá com amor: desejo do bem e da felicidade, em geral, eis no que para todos consiste o grande e astucioso Eros. Mas há muitos modos de dar satisfação ao amor e, entre eles, o de procurar as riquezas, os esportes, a filosofia, aos quais, todavia, não se aplicam corretamente os nomes de amante e amado; apenas a uma determinada espécie de amor e aos seus sequazes é que se dá o nome que de direito pertencer ao gênero todo: amor, amar, amante...
(...)
- Há uma lenda que diz que os que amam nada mais fazem senão
procurar a sua metade. Eu, porém, creio que amar não é procurar nem a metade
nem o todo, se, meu caro, isso não for bom: pois os homens consentem que se
lhes cortem os próprios pés e mãos, quando estes são maus. Julgo que na
realidade ninguém ama o que é pelo simples fato de ser seu, pois então todos
diriam que bom é o que é seu. Bons seriam os seus parentes. Qualificariam de
mau, pelo contrario, tudo quanto fosse alheio. Não! Os homens apenas amaná o
que lhes parece ser bom. Não é esta também a tua convicção?
A Mordida
“Eu, pois, que fui mordido por algo muito mais doloroso, e
justamente na mais sensível parte de meu ser: em meu coração, ou minha alma, ou
como a queirais chamar, eu que fui mordido pelos discursos da filosofia, que
mais penetrantes são do que as presas da víbora quando encontram uma alma jovem
e bem-dotado, e que levam a dizer e fazer toda a espécie de extravagâncias...
Importância da procriação
E sabes qual é a importância da procriação? É que ela
representa algo que perdura: é, para um mortal, a imortalidade. Ora, segundo
vimos há pouco, o desejo de imortalidade é inseparável do desejo do bem, pois
que amor consiste no desejo da posse perpétua do bem; donde resulta que o amor
é também o desejo da imortalidade.
"Definição" de amor amar
Creio que da seguinte forma: o amor não é simples, e, como
já vos disse no início, as coisas em si mesmas não são nem boas nem más, mas
boas se tonam quando feitas de bom modo, no caso contrario. O que é feito é
conceder favores a um mau e por maus motivos; e bom, a um bom, com bons
motivos.
Mau, com efeito, é o amante vulgar que prefere o corpo ao espírito, pois o seu amor não é duradouro por não se dirigir a um objeto que perdure.
(...)
O contrario, porem, acontece com aquele que ama uma bela alma e permanece a vida toda fiel a um objeto duradouro.
Mau, com efeito, é o amante vulgar que prefere o corpo ao espírito, pois o seu amor não é duradouro por não se dirigir a um objeto que perdure.
(...)
O contrario, porem, acontece com aquele que ama uma bela alma e permanece a vida toda fiel a um objeto duradouro.
O pederasta e sua metade
Tanto o pederasta como qualquer outro, quando encontram a sua metade correspondente, são transportados por uma onda de amor, de ternura e de simpatia; para tudo dizer numa palavra, não desejam estar separados nem um instante sequer. e são essas as pessoas que vivem juntas toda a vida, sem conseguirem aliás explicar o que mutuamente esperam uma da outra; pois não parece ser o prazer dos sentidos a causa de tanto encanto em viver juntas. é evidente que a alma de cada uma deseja outra coisa que não conseguem dizer o que seja, que pressentem e as vezes de maneira misteriosa.